Texto de apoio: Texto CB3A1AAA
Texto CB3A1AAA
Um livro é como uma casa. Tem fachada, jardim, sala de visitas, quartos, dependência de empregada e até mesmo cozinha e porão. Suas páginas iniciais, como aquelas conversas cerimoniais que antigamente eram regadas a guaraná geladinho e biscoito champanhe, servem solenemente para dizer ao leitor (esse fantasma que nos chega da rua) o que se diz a uma visita de consideração: que não repare nos móveis, que o dono da morada é modesto e bem-intencionado. (...) Que vá, enfim, ficando à vontade e desculpando alguma coisa... Assim, se o leitor quiser me acompanhar, eu lhe mostro, daqui da sala de visitas, esta minha nova casa. Diria, inicialmente, que ela começou com uma ideia, e não com um projeto bem-acabado, pois não sou engenheiro civil, mas estudante das coisas humanas. Desse modo, esta coleção de ensaios nasceu da motivação de compreender a sociedade brasileira como alguma coisa totalizada. Pode estar seguro o meu leitor-visita de que fiz o que pude e de que tentei até mesmo lhe indicar o caminho do quintal e da cozinha. Mas, se mesmo assim tudo lhe for desagradável, se considerar a casa mal construída, se o café estiver frio e fraco, e a cerveja, muito quente, se tudo — enfim — lhe parecer errado ou ruim, então eu só lhe peço que se lembre de uma coisa: a casa, afinal de contas, é brasileira. Nela, se há regras para o anfitrião, há também normas para a visita. E, até mesmo quando não se gosta de algo, se pode dizer isso educada e generosamente. Fique à vontade...
Roberto Damatta. A casa & a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil . Rio de Janeiro: Rocco, 1997, p. 5 (com adaptações).
Um livro é como uma casa. Tem fachada, jardim, sala de visitas, quartos, dependência de empregada e até mesmo cozinha e porão. Suas páginas iniciais, como aquelas conversas cerimoniais que antigamente eram regadas a guaraná geladinho e biscoito champanhe, servem solenemente para dizer ao leitor (esse fantasma que nos chega da rua) o que se diz a uma visita de consideração: que não repare nos móveis, que o dono da morada é modesto e bem-intencionado. (...) Que vá, enfim, ficando à vontade e desculpando alguma coisa... Assim, se o leitor quiser me acompanhar, eu lhe mostro, daqui da sala de visitas, esta minha nova casa. Diria, inicialmente, que ela começou com uma ideia, e não com um projeto bem-acabado, pois não sou engenheiro civil, mas estudante das coisas humanas. Desse modo, esta coleção de ensaios nasceu da motivação de compreender a sociedade brasileira como alguma coisa totalizada. Pode estar seguro o meu leitor-visita de que fiz o que pude e de que tentei até mesmo lhe indicar o caminho do quintal e da cozinha. Mas, se mesmo assim tudo lhe for desagradável, se considerar a casa mal construída, se o café estiver frio e fraco, e a cerveja, muito quente, se tudo — enfim — lhe parecer errado ou ruim, então eu só lhe peço que se lembre de uma coisa: a casa, afinal de contas, é brasileira. Nela, se há regras para o anfitrião, há também normas para a visita. E, até mesmo quando não se gosta de algo, se pode dizer isso educada e generosamente. Fique à vontade...
Roberto Damatta. A casa & a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil . Rio de Janeiro: Rocco, 1997, p. 5 (com adaptações).
Sem prejuízo para o sentido original do texto CB3A1AAA, a expressão “mesmo assim”, em “Mas, se mesmo assim tudo lhe for desagradável” (ℓ. 19 e 20), poderia ser substituída por
- Aaté mesmo.
- Bmalgrado.
- Cpor isso.
- Dapesar disso.